sábado, 10 de outubro de 2009

sábado, 1 de agosto de 2009

ÍNDICE


A doce filha do juiz – Alberto Deodato
A medicina dos médicos e a outra – Hermes de Paula
A Poesia de Zulma – Zulma Antunes Pereira
Alcoolismo: problema e solução – João Walter Godoy
Amor Cigano – Ájax Amaral Tolentino
Amor sem Limite – Arnaldo Leite Prates
Archote da Verdade – Orlando Ferreira Lima
As mangueiras de dona Zezé – Pedro de Oliveira
As Travessuras de Chico Prego – Alceu Augusto de Medeiros
Balanço Verde – Kita Sá
Cachoeira de Emoções – Vera Veríssimo
Cantos Chorados – Olintho da Silveira
Carga Pesada – Biancart Monteiro
Corpus – Denise Magalhães
Data Vênia, Excelência! – Ronaldo José de Almeida
Dória & Dário – Dóris Araújo e Dário Teixeira Cotrim
Emoções – Wanderlino Arruda
Entre outras coisas... Eva – José Prudêncio de Macedo
Eterno Instante – Miriam Carvalho
Experiências de uma vida – Juvenal Caldeira Durães
Família Guarani: 50 anos de história – José Ferreira da Silva
Família Machado – José Gomes Machado
Fonte dos Suspiros – Geraldo Freire
Genuíno – Márcio Adriano Silva Morais
Grotão – João Valle Maurício
Histórias E crônicas norte-mineiras – Expedito Veloso Barbosa
João Chaves: Eterna Lembrança – Amelina Chaves
Leia o Trem – Clício de Moura Lima
Lembretes Maternais – Maria Celestina de Almeida
Magnificat – Maria das Mercês Guedes e Milene Antonieta Mauricio
Malvinas: Crônicas de Guerra – Fernando Zuba
Maria Dusá – Lindolfo Rocha
Memória de uma Aroeira – Luiz Pires Filho
Memórias da Infância – Júlio César de Melo Franco
Memórias da Terra do Boi Surubim – Antônio Ferreira Cabral
Meu Relicário – Arthur Fagundes
Momentos – Luiz de Paula Ferreira
Monte Azul, retratos e relatos do Tremedal – Maria da Glória Feliciano
Montes Claros, Claros Montes, Nossa Terra Nossa Gente – Terezinha Campos
Montes Claros: Histórias do Rey – Reynaldo Veloso Souto
Mozart David – Uma vida e serviço de Jacaraci – Zoraide Guerra David
Nas águas do Rio São Francisco – Maria da Glória Caxito mameluque
Nova Esperança – Jarbas Oliveira
O Laço Húngaro – Dário Teixeira Cotrim
O Mito da Cachaça Havana – Roberto Carlos Morais Santiago
O poder feminino – Antônio Ferreira Cabral
O Priapo de Ébano – Amelina Chaves
O Rancho da Lua e outras memórias – Amelina Chaves
O Sabor Acre da Vida – Waldir de Pinho Veloso
O Sol Brilha Para Todos – Milton Azevedo
Os 500 anos dos sem terra – Mário Magno Cardoso
Os três heróis do Sertão – Juca Silva Neto
Poesias – José Rametta Santos
Poetas & Ostras – Wander Cardoso
Por cima dos telhados e por baixo dos arvoredos – Luiz de Paula Ferreira
Porteirinha: Memória histórica e genealógica – Palmyra Santos Oliveira
Raízes de Minas – Simeão Ribeiro Pires
Rancho Solitário - Jason de Morais
Rebenta Boi – Cândido Canela
Relicário – José Canguçu
Serestórias e outros escritos – Virgílio de Paula
Sincoob Credinor – José Roberto e Waldirene Aparecida
Tempestade do Amor – João Soares

MEU RELICÁRIO


DÁRIO TEIXEIRA COTRIM

Não poderia ser outro o nome de batismo do livro de Artur Fagundes: Meu Relicário. Pois é o seu livro o lugar próprio para guardar as relíquias do tempo pretérito. Os guardados mais preciosos e de valores imensuráveis que são os seus belíssimos poemas de vida. O livro traz na capa a impressão lógica do classicismo, com detalhes oriundos dos antigos capitéis gregos, o que nos ocorre a uma sensação de forte erudição no processo da arte literária. Aliás, o poeta Arthur Fagundes é um verdadeiro homem-erudito, uma vez que os seus poemas retratam com sabedoria e elegância os valores das lembranças eternas e as saudades de um tempo que agora está tão distante. Ele se apresenta num estilo ideal da comunicação, poderia dizer-se da poesia de Fernando Pessoa, pelo qual o leitor passa a ser parte integrante de sua ação poética, porque o que o poeta diz encharca-se numa verdade de vida de cada um de nós.

Quem, ao ler com ávida degustação os poemas de o Meu Relicário, não voltará pelo pórtico do tempo? Quem não se emocionará das recordações prestigiosas na magia desta leitura? Quem não se sensibilizará com a dor da perda num soslaio de sombras, ou com a alegria da conquista? Assim é o livro do poeta Arthur Fagundes. Na medida em que nos aprofundemos na leitura dos seus poemas, novas e interessantes descobertas vão sendo reveladas para o nosso doce entretenimento. Dentre elas a de que o prefaciador, o acadêmico Adherbal Murta de Almeida, nos avisa com extrema segurança de que “a sabedoria e a beleza literária dos 117 sonetos de Dr. Arthur Fagundes [que] estão guardados dentro do livro Meu Relicário, me pertencem de agora em diante”. Para ser mais justo, estes sonetos pertencem na verdade a todos os seus diletos admiradores.

Com a publicação do livro o Meu Relicário ganha o leigo-poeta, também os apreciadores da boa literatura e mesmo os membros das academias de letras, todos interessados em se informar um pouco mais na dança de suas palavras. A obra de Arthur Fagundes não se esgota em assuntos meramente pessoais e nem tampouco na beleza das palavras senão na sua essência intrínseca. Em nenhum momento ele atropela a língua portuguesa, ou viola os aspectos sagrados da comunidade social. Expende que perdeu o pai ainda quando criança, “mas ficou (...) o exemplo que [ele] deixou para não fenecer a semente que plantou”. Tem razão João Guimarães Rosa quando diz que “as pessoas não morrem, ficam encantadas”.

Por outro lado, o livro é a forma mais utilizada para garantir a plena e longa imortalidade. Portanto, sentimos que esta obra tem muito de afinidade com a nossa existência, que sempre resultou de lembranças de coisas do passado, principalmente da nossa saudosa infância. O que há de mais importante, entretanto, é o exemplo de vida que o autor oferece aos seus leitores. Assim, a proposta dos seus poemas tende a fluir magistralmente ao nosso redor na impaciência de concretizar sonhos e mais sonhos. “O sonho é fugaz, é passageiro, é vão. A gente quando sonha, sonha o que viveu, mesmo na idade que o tempo feneceu, porque a lembrança que recorda é ficção”.

Confesso que li demoradamente o livro Meu Relicário. Viajei mansamente em suas lindas páginas. Emocionei-me fortemente nos textos e nos contextos da obra. O poeta Arthur Fagundes será recompensado por ter nos oferecido este belíssimo presente de vida! O seu relicário será o nosso relicário na festividade literária da própria vida. Isso eu afianço!

MENINO PESCADOR


DÁRIO TEIXERA COTRIM

O poeta Reivaldo Canela é certamente um dos mais importantes intelectuais da cultura montes-clarense. Quem duvidar disso que leia e releia, cuidadosamente, seu empolgante livro de memórias intitulado de Menino Pescador. Mas, é indispensável uma observação: a leitura deste livro deve ser feita com a paciência de um verdadeiro pescador, aquele que mergulha, silenciosamente, o seu anzol em águas cristalinas e tão logo fisgará uma comovente narrativa de um memorialista, alguns textos avulsos do seu cotidiano e uma seleta de lindos poemas.

Qualquer um quererá gostar de uma dessas pescarias. Porém, há momentos em que nada poderá satisfazer o gosto pela vontade determinante de fincar o pé na beirada de um rio até o manifestar-se do dia seguinte. É preciso mais. É preciso viajar nas asas da imaginação poética do autor. E – quem sabe? – não deixar morrer a esperança de fisgar um peixe grande. Todavia, a qualquer momento um puxão de orelha nos retorna à triste realidade dos fatos: agora não há mais peixes em nossos rios, mas tão somente os entulhos das grandes cidades.

Não obstante a esta triste constatação é claro que a leitura ainda prossegue. Desta vez há um doce encantamento que envolve os textos que compõem a segunda parte do livro. São textos curtos e explicativos. O autor nunca se engana no manejo das palavras quando essas significam o que há de mais discreto no seu conteúdo. São como as estrelas que cintilam em um dado momento, mas que nos deixam o brilho quando a imaginação é controlada pela emoção da razão. O grande mérito do livro consiste em apresentar-se numa narração seqüenciada e ordenada, o que passa pela infância do autor e se completa na valorização dos textos literários.

Com a mais alta e a mais profunda emoção, assim nos ilumina o acadêmico Reivaldo Canela com sua arte ambígua, sutil, refinada e reflexiva. O autor explora sem constrangimentos a narrativa detalhista do estilo machadiano. Uma forma real e rápida de transportar o leitor para o âmago dos fatos. Na medida em que a leitura vai fluindo nota-se o emprego das reminiscências. Propositadamente a escrita de Reivaldo Canela dialetiza as distorções entre o pretérito e o futuro procurando superar o paradoxo da condição humana.

Reivaldo Canela inspira-se nesta experiência da escrita e procura fazer a sua narrativa, não a partir da sua consciência, mas da noção do inconsciente. Aqui, neste livro Menino Pescador a narrativa dos textos emana de uma criança adormecida no recôndito das letras. Narrar estórias é buscar o sentido real do pragmatismo dissimulado no TUDO ou no NADA. Narrar estórias é deixar extravasar todo o sentimento que existe na alma do poeta. Reivaldo Canela sabe perfeitamente burilar as palavras no sentido de produzir esta sensação de conforto e de alegria tão necessária ao coração da gente.

No final do livro há um belíssimo bônus poético para os seus leitores. Aqui o poeta Reivaldo Canela transporta para a sua poesia a simplicidade que lhe é peculiar tal como a beleza de que se reveste a sua inspiração. A família Canela transpira poesia por todos os poros. O certo é que a magia das palavras, criada pela caneta-tinteiro de Reivaldo, resulta sempre na criação dos mais belos sonetos.

Recomendo a leitura de Menino Pescador. Gostei muito. Este livro trata-se de uma viagem com paradas obrigatórias em determinadas épocas do tempo. No tempo de buscar o araçá madurinho no mato do cerrado. No tempo do carro de bois perambulando cheio de lenha pelas ruas sem calçamento da nossa cidade. No tempo dos curimatãs, piaus, corvinas, matrichãs, traíras, bagres, mandis e pacomãs. O livro de Reivaldo Canela é, pois, um baú repleto de lembranças e de saudades!

MONTES CLAROS, RETRATOS POÉTICOS


DÁRIO TEIXEIRA COTRIM

No mundo de hoje, se as letras tornaram muito mais apaixonantes e muito mais sedutoras que a nossa realidade, por outro lado, essa mesma realidade parece que espelha com muito mais brilho diante da nossa fantasia reflexiva. O que seria o caso, e não é por acaso, o retrato da arte literária no mundo dos artistas. Assim, mesclando arte-literária com a arte-cênica para produzir imagens-textualizadas do passado e presente, a acadêmica Karla Celene Campos e a fotógrafa Ângela Martins Ferreira lançaram o livro Montes Claros - retratos poéticos, dentro desta mesma perspectiva. O lançamento do livro teve o apoio cultural da augusta Academia Montesclarense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros e, também, do Elos Clube de Montes Claros.

Disse-nos as autoras do livro da beleza poética “... em palavras e imagens, o passado e o presente, as cores e as formas, o suor, o trabalho, o cotidiano e o sonho da gente deste sertão”. Ora, nestas palavras elas resumem com perfeição o direcionamento de sua obra. Por quê? Porque a poesia de Karla é inconfundível! Porque a fotografia de Ângela é incomparável! Porque podemos dizer que na união dessas duas artes, em comum acordo, há sempre uma carga explosiva de sedução implícita na transcendência do belo.

Nos tempos modernos a velocidade da comunicação vem alterando a paisagem e a compreensão do mundo. Isto é um fato. Portanto o registro de Montes Claros, retratos poéticos, se insere numa época que vem sendo subestimada pela modernidade da cultura em todos os seus quadrantes. Ao folhearmos as imagens-textualizadas deste belíssimo livro de poemas e fotografias, necessariamente somos transportados para uma dimensão superior onde estão guardadas as nossas saudosas reminiscências. Em cada retrato uma lembrança! Em cada poema uma saudade! Em cada momento uma doce emoção do viver, do reviver e do conviver.

Isso acontece porque o homem poeta é um ser sensível, um ser inteligível, um ser que é dominado pelo encanto das letras e pelas imagens do mundo. A força das palavras e o elemento de definição da imagem fazem da idéia cantarolada o acinte da imaginação fotográfica.

Por trás de uma bela obra poética há sempre a figura de um artista. Aqui, entretanto, existem duas figuras artísticas: o talento de Karla Celene Campos no burilar das palavras e o foco misterioso da máquina fotográfica de Ângela Martins Ferreira, revelando assim o impressionismo das fotografias. Haja vista que esta união nos revelou uma obra prima da literatura montes-clarense: Montes Claros, retratos poéticos.

Dos textos da menina-moça Karla emana uma expressividade em perfeita comunhão com as fotografias da garota Ângela. Disse-nos o acadêmico Wanderlino Arruda que fez o prefácio do livro e a apresentação da obra nesta noite de autógrafo. Depois, num ambiente totalmente descontraído, poetas, cantores e bailarinos fizeram realizar um show com o fluxo de artes. Com fitas coloridas lembrando as marujadas do mês de agosto, o publico participava das encenações. Tudo perfeito. Tudo muito bonito.

Quanto às fotografias expostas em cima das mesas, a nossa confreira Amelina Chaves assim comentou admirando-as: É maravilhoso! Dá para gente perceber a riqueza existente nos cerrados do nosso grande sertão – veredas! São folhas, flores e frutos; são rios cachoeiras e lagos e tudo mais que inspiraram os poemas da Karla e que também fazem parte do olho mágica da maquina fotográfica de Ângela. A arte para mim, foi sempre uma obsessão! Benza Deus!

ALCOOLISMO: PROBLMA SOLUÇÃO


DÁRIO TEIXERA COTRIM

Sempre que retiro da estante o livro Alcoolismo: Problema e Solução, do ilustre professor João Walter de Godoy Maia, para uma leitura necessária e contínua, fico a imaginar como é importante a contribuição deste trabalho literário para o conforto daqueles que sofrem com seus dependentes do álcool no seio familiar. Não são somente esses dependentes que devem ler este livro. Mas, muito mais, devemos todos nós para que possamos inteirar dos conceitos e das prevenções e de alguma forma ajudarmos a quem precisar desses esclarecimentos.

Eis que vê na obra do companheiro João Walter muito de sua vida, quer através dos assuntos abordados, quer através das idéias expostas, o que nos leva a crer no interesse em trazer algumas observações e ao mesmo tempo abrir caminhos relativos a vários problemas versados pelo autor. Sem dúvida que se trata de um trabalho de profunda investigação e com elementos importantes para o conhecimento da cura do alcoolismo, uma doença que afeta a sociedade como um todo e em conseqüência disso, também às pessoas que dela fazem parte. É importante entender que o alcoólatra se sente muito mais doente não quando ele bebe, mas quando ele deixa de beber. Afirma o professor João Walter de Godoy Maia.

Quanto ao vocabulário empregado, o autor destaca que, embora predominem termos alusivos estritamente ao alcoolismo é uma linguagem igualmente didática. Neste documentário não é comum encontrarem-se expressões elevadas e nem mesma erudita, ainda que no geral seja uma escrita de linguagem bastante comum. Disse Ismael Pontes Junior que o livro apresenta, de maneira simples e objetiva, pela experiência do autor no trato do assunto, esclarecimentos que desmistificam a problemática do alcoolismo e, ao mesmo tempo, sugere propostas de solução adequadas. O simples fato de o trabalho ser dedicado a análise do alcoolismo, ainda assim justifica plenamente a sua apreciação no campo específico da literatura.

Entretanto, a principal preocupação do autor, “vitorioso na sua luta contra o alcoolismo, no exame minucioso desta doença, na necessidade íntima de ajudar o próximo, de resgatar uma vida. Por todos esses motivos ganha mais uma batalha certo de que a sua missão ainda continua”. Assim define com muita propriedade o professor Rogério Alvarenga. Por tudo isso é que é questionado a si próprio: o que é alcoolismo? O que é dependência? Onde termina o uso apropriado e começa o abuso? Que medicação deve ser considerada droga no sentido de dependência? São perguntas que todos os leitores precisam saber responder.

Apesar dos senões apontados, de resto advindos de problemas alheios ao seu propósito primeiro, este documentário pelos graves e atualíssimos distúrbios que são levantados e pelo apaixonado tratamento que lhe confere o autor, merece figurar entre as obras de importância aparecidas ultimamente entre nós, como mais uma contribuição para o aclaramento do alcoolismo com que se defronta a nossa sociedade. Por outro lado, é preciso dizer que, quando se faz um estudo de relevancia inquestionável em favor dos mais necessitados, a sociedade jamais se esquecerá de agradecer o gesto cristão de quem a produziu. Também queremos deixar aqui registrada as nossas depretenciosas considerações sobre o livro de João Walter para conhecimento dos nossos leitores. Parabéns João Walter de Godoy Maia pelo brilhante trabalho literário intitulado Alcoolismo: Problema e Solução.

PORTEIRINHA: MEMÓRIA HISTÓRICA E GENEALOGIA


DÁRIO TEIXEIRA COTRIM

Estávamos presentes (eu, Wanderlino Arruda e Haroldo Lívio) na cidade de Porteirinha, para o lançamento do livro Porteirinha: Memória Histórica e Genealogia, da confreira Palmyra Santos Oliveira, representado o Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros. Foi uma festa belíssima. Enganalaram a Casa de Cultura para receber a ilustre historiadora da terra com sucessivos aplausos. A sessão solene foi festivamente presidida pelo acadêmico Wanderlino Arruda, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros, que falou da importância de escrever a história de um povo com os seus costumes e as suas tradições.

Hoje, o que muitos de nossa geração devem aos mais experientes foi à oportunidade e a sorte de ter lido livros importantes na adolescência. O livro histórico na sua essência é um repositório de reminiscências onde o autor vai anotando os fatos acontecidos ao longo de um tempo. Isso também aconteceu com Palmyra, que leu muito e depois escreveu a história de sua terra com a extrema precisão dos fatos, relatando-os em livro para o conhecimento das futuras gerações. Não obstante as nossas colocações disse-nos ela que “não se trata de um compêndio de história, nos moldes tradicionais, em que se debruçam sobre documentos em busca de revelações, mas principalmente de um relato testemunhal” o que vai despertar grande interesse do povo e também daqueles que buscam conhecer melhor as suas origens.

O livro de escritora Palmyra é uma obra de fôlego, com seqüência de fatos paradigmáticos, começando pela história antiga da cidade e prosseguindo até os dias de hoje. Para ela, a história de Porteirinha é bastante curiosa, já que os primeiros tropeiros acampavam numa “pequena clareira no coração da mata” depois que passavam por “uma brecha entre os altos troncos de um lado e do outro da clareira, que lhe servia de acesso. Era como porteira. Os que para ali se dirigiam em busca de pouso, se referiam ao local como Porteirinha”.

É claro que numa iniciativa complexa como essa, aí não se esgota a pesquisa. É fundamental e interessante a continuidade dos trabalhos da autora, o que poderá ser feita pelos seus filhos, em particular, o ilustre acadêmico Itamaury Telles de Oliveira. Na parte da genealogia há, evidentemente, certas falhas de nomes e de datas, mas não há razão suficiente para que ela seja considerada espúria. Na verdade, os acertos desses nomes deverão acontecer ao longo dos anos que virão, como também a complementação de outros dados que se fizerem necessários.

Afirmamos com bastante convicção que, Porteirinha: Memória Histórica e Genealogia é um livro de grandes qualidades, é muito bem trabalhado e de leitura extremamente agradável. Certamente terá ele a repercussão merecida, uma vez que narra a história antiga de Porteirinha e as raízes genealógicas das principais famílias do lugar, quase todas oriundas do sertão baiano.

No geral, os livros históricos são as certidões de nascimento das cidades. O livro Porteirinha: Memória Histórica e Genealogia é na verdade tudo isso, além de ser o retrato fiel de uma cidade pacata, bonita e ordeira. Portanto, “condensando memória histórica e genealogia, este livro foi escrito nos últimos vinte anos e resulta de observações e anotações pessoais ao longo de mais de seis décadas de participação na vida comunitária de Porteirinha”.

A sua autora Palmyra Santos Oliveira ocupa com galhardia a Cadeira de número 64 do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros, que tem como patrono o seu saudoso irmão José Gomes de Oliveira. Parabéns Palmyra!

O SOL BRILHA PARA TODOS


DÁRIO TEIXERA COTRIM

Aconteceu, nesta semana, no salão nobre do Automóvel Clube de Montes Claros o lançamento do livro “O sol brilha para todos”. Um belíssimo livro de comportamento pessoal e que retrata a persistência de quem busca na vida um futuro melhor. O autor, professor Milton Azevedo, portador de uma deficiência física, depois de vencer todas as barreiras do preconceito, surge, agora, orgulhosamente, no cenário literário de Montes Claros com esta excelente obra biográfica que, certamente ficará incutida na memória da cidade como sendo um presente das letras.

A trajetória de vida do professor Milton foi reconstituída com cenas virtuais, desde sua infância até o momento atual. A emoção maior, no entanto, ficou por conta do seu discurso de encerramento quando ele apresentou para a platéia a sua querida mãe: uma mulher guerreira, uma mulher forte, uma mulher destemida que enfrentou todos os contratempos possíveis para direcionar o seu filho ao estudo. “O sol brilha para todos não é um livro de auto-ajuda, mas uma lição de vida legada, principalmente ao jovem montes-clarense, pelo Milton menino, pelo Milton jovem e pelo Milton adulto, sempre acompanhado de amor imensurável de sua família. É uma narrativa que instiga cada um a fazer a sua história”. Nota-se nele [no livro] uma prosa leve e solta e, também, o acento à vezes melancólico de evocações ao passado.

A festa de lançamento teve vários momentos em que despertou sentimentos intensos. O depoimento emocionado do jornalista Arthur Leite, amigo de primeira hora, mostrou a importância de valorizar a pessoa humana, independente de sua condição física e/ou financeira. O salão nobre do Automóvel Club de Montes Claros esteve completamente lotado, o que não é muito comum em se tratando de lançamento de livros. A fidelidade religiosa também se fez presente, assim como o carinho dos seus alunos e dos seus colegas professores do pré-vestibular Unimax.

O livro “O sol brilha para todos” traz na sua capa o colorido do tema adrede proposto. “As histórias são contadas de forma simples, objetiva, quase prosaica nessa autobiografia, que mostra com muita sinceridade, que com determinação e força de vontade é possível fazer com que a vida ganhe cores diferentes daquelas cinzentas dos dissabores a que todos podemos estar sujeitos. Afinal, conforme aconselha o próprio autor, o sol brilha para todos”. Não podemos fraquejar, porque a alma dos que não desistem é como a procelária que se alegra no meio da tormenta.

Assim percebemos o exemplo de vida. Assim encantemos com a história que a partir de detalhes autobiográficos, o autor expõe com riqueza de detalhes numa mesma metáfora que percorre todo o livro. “O sol brilha para todos” é uma obra com relatos surpreendentemente lúcidos e válidos para esta e as gerações futuras. Não se considera aqui o contraponto de uma gratidão, mas a grata satisfação de poder oferecer um pouco daquilo que um dia recebeu de seus semelhantes. A memória prodigiosa do ilustre professor de história, Milton Azevedo, leva o leitor ao entretenimento a partir de relatos originais, fatos com que a sua humildade e simpatia conquistam corações jovens e velhos. A presença da palavra de Deus, na voz do pastor evangélico, foi uma rara oportunidade para os agradecimentos do bem da vida.

O Entretenimento, a Educação, a Religiosidade e a Cultura uniram-se num só corpo para fortalecer a belíssima festa de lançamento do livro “O sol brilha para todos”, de autoria do brilhante professor de história Milton Azevedo. Parabéns Milton!

HISTÓRIAS E CRÔNICAS NORTE-MINEIRAS


DÁRIO TEIXERA COTRIM

Os livros de memórias, principalmente aqueles que retratam os primeiros dias da nossa infância, são os meus preferidos. Aqui, temos em nossas mãos o livro Histórias e Crônicas Norte-mineira, do eminente escritor Expedito Veloso Barbosa, recheado de comentários que estão ligados às peripécias infanto-juvenil da vida do autor, e sempre atrelados com as crendices e as sabenças do interior norte-mineiro. São fatos que se revestem de grande importância para o conhecimento de um tempo que agora já se encontra tão distante. Eis porque julgamos interessante anotar as nossas impressões, em cada uma de suas mini-crônicas, de sorte a dar, a quem as ler, uma idéia hilariante e, também, informativa sobre as figuras e os fatos a que se referem. Todavia, durante a leitura de livros de igual teor e gênero é comum ao leitor uma rápida viagem de volta ao tempo em busca de suas reminiscências. Disse-nos com muita propriedade o poeta Alberto de Oliveira que “... a saudade, poeta, é uma ressurreição”.

Nota-se que o livro “Histórias e Crônicas Norte-mineiras” é dividido em dez capítulos cronológicos e está relacionado diretamente com a vida pregressa do autor e de sua família. Decerto Expedito escrevia essas crônicas à medida que se via em situações ambíguas de sua vida. É como se fosse uma via-sacra em busca de uma estabilidade profissional no combate das incertezas por vezes existentes. Aos catorze anos de idade era o nosso Expedito um garoto alegre e travesso assim como todos os garotos daquela época. Entretanto, com a morte prematura de seu pai, vê-se desmoronar os seus sonhos de menino e a travessura dava lugar à necessidade do trabalho.

Não vejo em suas mini-crônicas a influência tanatológica, porquanto a sua escrita é verdadeiramente um canto de exaltação da vida. Ainda assim, aparece a figura humorística do defunto malabarista na contra mão de um empréstimo do Cordão de São Francisco, episódio que é merecedor de uma atenção muito especial por parte dos personagens e dos leitores, evidentemente. Por outro lado, era preciso levar a sério as premonições, principalmente depois que as águas da barragem Sítio Novo romperam rio abaixo.

Na verdade, todo poeta ou escritor, todo líder comunitário ou político de real destaque na sociedade tem direito à sua poliantéia. Assim, o poeta Expedito Veloso Barbosa se salienta nas letras montes-clarenses com a publicação do seu livro Histórias e Crônicas Norte-mineiras. Os textos inseridos são curtos e extremamente convidativos ao prosseguimento da leitura. Pois tem o autor à perspicácia incomum na elaboração de sua escrita, evitando o excesso de parágrafos e, por outro lado, condensando os fatos para se evitar uma possível canseira aos leitores com menos intimidade com os livros. A narrativa de Expedito é coloquial e bastante simples, e tudo que ele escreve é capaz de definir o saudosismo que carrega dentro de si. Portanto, utilizando do medo, das premonições, do sofrimento e do amor como matéria-prima para a elaboração de suas mini-crônicas, ele acaba criando um universo genuinamente particular onde deposita as suas doces lembranças e ainda resgata saudades adormecidas!

CARGA PESADA


Dário Teixeira Cotrim

Não conheço o escritor Biancart José Monteiro. Mas, já ouvi falar muito dele e de sua obra também. Agora, com a leitura do seu livro Carga Pesada eu tenho uma certeza: Biancart é um talentoso contador de causos. É “aquele jovem simpático, sempre alegre, dono de uma conversa inteligente, bem humorada, salpicada de pequenas e joviais ironias”. Como expende com uma imensa alegria o apresentador da obra, o ilustre janaubense - gorutubano - Raimundo Brandão. Nota-se que, o que se destaca na sua obra não é tão somente a leveza das palavras, mas também a beleza das estórias, não é apenas o estilo humorístico das crônicas, mas a irradiação do seu gênio crítico. O livro de Biancart não encontra melhor definição do humor senão pelo humor das palavras ali proseadas.

O livro Carga Pesada também traz prefácio do renomado historiador Daniel Antunes Junior, ele que é um dos melhores prefaciadores que eu li ultimamente. Disse-nos com muita propriedade o confrade Daniel que o livro Carga Pesada trata de “uma pequenina e interessante coletânea de short-stories escrito num linguajar próprio e desabusado do autor”. Ora, pois bem, tem razão o nosso confrade Daniel na sua afirmativa lógica e coerente com a presente obra. O riso desprendido a cada final de uma crônica alimenta a nossa curiosidade para a crônica seguinte. Não há como parar a leitura. Aliás, parece que o tempo é que pára diante a nossa investida na degustação saborosa da escrita de Biancart. O seu estilo lembra-nos o saudoso acadêmico Jose Prudêncio de Macedo na sátira, João Valle Maurício nas reminiscências e o jovem cronista Itamaury Teles com o seu humor bem comportado.

É inegável que essa mania que temos em ler os autores montes-clarense e, também, os autores da região norte-mineira, sempre nos leva ao encontro de jóias literárias como esta. Ao iniciarmos a leitura do livro Carga Pesada, notamos que não arredaríamos o pé do lugar antes mesmo de completar a leitura da última página da coletânea de crônicas de Biancart. São causos curtos, são curtos e repletos de humor e de ensinamentos. É preciso salientar, porém, que o livro é na verdade um convite para que os leitores façam um passeio pelo tempo pretérito e, que eles possam recordar as suas reminiscências de outrora. Ainda, assim, é possível assinalar alguns traços relevantes da escrita de Carga Pesada. Ele é engraçado pela inspiração; ele é completo pelo tema; ele é bonito pelo estilo e pela moderna forma de expressão utilizada aqui em exaustão pelo autor.

Ora, a maior lição que se pode tirar da obra literária desse ilustre baiano de Bom Jesus da Lapa, em que revela o grande talento do escritor, é aquela inerente à plasticidade do viver. Em geral, são os livros os verdadeiros instrutores da vida. Nota-se, entretanto, que essa conclusão não é destituída de significação. Carga Pesada foi uma publicação ainda do tempo dos caracteres tipográficos. O livro era composto letra por letra, tudo manual para se formar um bloco de página. Não obstante todas as dificuldades existentes, podemos dizer que não há um erro sequer no conjunto das palavras. As ilustrações são de Biancart José Monteiro Junior, e elas retratam com fidelidade a imaginação artística e literária do autor. O livro ainda traz o selo da Gráfica Polígono (1985), hoje a atual Editora e Gráfica Millennium. Enfim, o livro de causos de Biancart mostra que o verniz cultural norte-mineiro, ao longo dos anos, é uma camada tão sólida que nunca será, sequer, arranhada ou destruída, muito pelo contrário, será uma película de transparência pública sempre a benefício daqueles que gostam de uma boa leitura. Parabéns Biancart!

O LAÇO HÚNGARO


Dário Teixeira Cotrim

É natural a tamanha satisfação, de quem quer que seja, quando um sonho é concretizado. E, pela décima quinta vez estamos vivendo em renovados momentos a alegria de encontrar-nos, outra vez, em volta com o lançamento de mais um livro. Desta feita a O Laço Húngaro – uma estratégia militar bem sucedida. Pode ser que as pessoas nem percebam a simplicidade de um título assim tão grande. Talvez, elas nem percebam, também, os caminhos percorridos desde os seus primeiros assentamentos históricos até a conclusão da obra. Mas, certamente que elas saberão da importância de escrever um documentário responsável e sério sobre a história de uma Coluna!

Ah, quantas noites mal dormidas porque teria de registrar as idéias naquele exato momento. Quantas incompatibilidades em casa em vista do tempo dedicado somente ao trabalho de pesquisas, tempos esses que duram uma eternidade. Quantas renúncias no gozo das férias só por causa de um estudo complementar que, talvez pudesse ser feito em uma outra oportunidade. Quantas lutas e quantas desilusões numa expectativa perdida. A família ficava prejudicada em todos os seus quadrantes. Entretanto, a minha esposa e os nossos filhos souberam driblar as conseqüências advindas deste meu embirramento, pois era preciso que fosse assim.

Ora, os tropeços são em demasia. As decepções, essas também nunca nos faltaram. As dificuldades, financeiras e físicas, em certos momentos esmoreciam o pique deste imensurável trabalho. A inveja de uns ainda é o que mais atormenta os nossos desejos de realizarmos uma obra literária, todavia, os aplausos de outros sobrepõem essas deficiências o que atropelavam os nossos exaltados sonhos. Para tanto, o importante é a persistência de vencer, é a vontade de colocar em prática as nossas fantasias e a determinação nossa de querer fazer e de poder fazer, mesmo sabendo que tudo isso nos custa a nossa alma e o nosso infeliz coração em lancinante dor. Piores serão os protestos de veneração, sempre falsos das parentalhas, as que não enxergam senão pelo lado da cobiça. Delas há uma euforia em chamas de fogo que se extingue em cinzas.

Talvez, melhor seja o sacrifício, pois assim a reta final terá sabor de vitória. Pois, há nove anos que vimos colecionando informações sobre a sempre badalada operação de guerra: A Coluna Prestes. Hoje, temos um imenso carinho de gratidão e de respeito aos confrades do nosso Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros e da Academia Montesclarense de Letras, pois foram eles, sem dúvida, os primeiros que acreditaram no nosso talento e na nossa vocação de fazermos história em terras estranhas.

O livro O Laço Húngaro já está publicado sem, contudo, o seu lançamento acontecer. São cento e quarenta seis páginas de registros históricos, legado que deixarei para os futuros pesquisadores, pois são eles os legítimos historiadores do tempo que há de vir. Ao povo mineiro e baiano queremos solicitar-lhes as nossas desculpas pela nossa ousadia e pela nossa estupidez de querermos fazer história num manancial repleto dos melhores historiadores do país.

Valendo-nos do ensejo, queremos, pois, deixar consignado aqui o nosso profundo agradecimento ao Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros e também a Academia Montesclarense de Letras que, na generosidade do doutor Wanderlino Arruda e da ilustríssima professora Yvonne de Oliveira Silveira, decisivamente nos acolheu com carinho imenso e de modo assim tão expressivo.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

CACHOEIRA DE EMOÇÕES


Dário Teixeira Cotrim

Todos nós temos os nossos limites. Mas, existem aqueles que superam os seus próprios limites. Vera Lúcia Veríssimo de Souza faz parte desse grupo de pessoas que superam limites. E foi assim que surgiu o livro de poesias Cachoeira de Emoções, onde a autora imprime ao longo de suas páginas as suas tristezas e as suas alegrias, as suas dores e os seus amores, as suas aflições e as suas esperanças. Nota-se que o livro tem uma mistura de versos/prosas ou prosas/versos que permite aos leitores uma viagem sem turbulências pelo imaginário da autora. É um rememorar de fatos adormecidos que renascem para o conforto de nossas almas. É, também, uma porção de saudades que leva-nos a quilômetros de distância a todo o momento. Na lembrança de um passado recente ela entende agora porque que a juventude foi sempre patética, de desencontros, de mal-entendidos e de sentimentos confusos.

O livro de poesias de Vera Veríssimo enfrenta simultaneamente dois temas comuns em dois álbuns distintos. O primeiro que fala das emoções de quem ama o amor com muito amor (no álbum dos Poemas) e o segundo que é o amor de uma família (no álbum de Minha Família). Não obstante a esses dois álbuns a autora ainda fala de uma “Montes Claros Imaginária”. Vejamos aqui: “Montes Claros... você era menina, com as suas brincadeiras, cipózinho queimado, cantigas de roda...”.

A grande literatura montes-clarense possui algumas obras de reconhecido valor literário, mas sem conter nas suas páginas a essência familiar. Cachoeira de Emoções não é uma obra-prima, certamente que não, mas é um livro belíssimo, onde os valores éticos estão presentes e a razão da emoção mais presente ainda. A poesia de Vera Veríssimo pode às vezes parecer-nos ingênua, sem essa febre avassaladora dos tempos modernos; sem essa força dominadora que arrebata a natureza para o caos e, sem essa pungência em deixar o fluir e o refluir dos sentimentos animadores de cada um de nós.

No poema “Olá Moreno” há todo o encanto poético de uma bela canção. Diz assim, sem pestanejar, a autora: “Olá moreno, dos olhos encantadores/ deixa eu te beijar e sentir o teu calor. / o teu sorriso é mesmo uma doçura/ por ti moreno, cometo uma loucura/ deixa eu te beijar, adormecer em teus braços e sonhar de felicidade por te amar”. Diz ainda a autora que na imaginação a gente pode pôr o mundo na palma da mão. É verdade. Sempre no momento em que a poesia se aguça nas contradições

Após esta ligeira análise do livro Cachoeira de Emoções, cabe-nos agora integrar a poesia e a prosa na construção de um sonho eterno. O processo literário da autora Vera Veríssimo tem a sua origem, especialmente no conceito de sua obra e no respeito de seus limites. Daí nós deduzimos que a nossa responsabilidade no lidar com as letras é bem mais complexa do que imaginamos. Em vista disso, a autora de Cachoeira de Emoções nos dá uma lição de humildade e determinação na busca e na recusa de nossa identidade.

Vera Lúcia Veríssimo de Souza é natural de Montes Claros. Filha de Valdir Veríssimo da Silva e de dona Cipriana Celestina de Souza, foi professora rural e sempre marcou presença nos eventos do Psiu Poético tendo, inclusive, participado de várias antologias. O trabalho literário da poetisa Vera Veríssimo, no qual ela labutou longos anos, está sendo elogiado pela crítica. O carinho dos amigos e de seus familiares lhe alimenta ainda mais a ânsia de criar poemas, de descobrir a vida, de realizar sonhos e de enfrentar os problemas do mundo na superação de seus limites. Alias, os limites existem somente para serem superados.

AS TRAVESSURAS DE CHICO PREGO


Dário Teixeira Cotrim

Terminei a leitura de um belíssimo livro infantil: As Travessuras de Chico Prego. Um livro colorido que conta as travessuras de um macaquinho esperto e tem as ilustrações do renomado artista plástico Gemma Fonseca. O autor Alceu Augusto de Medeiros, que já vem produzindo livros infanto-juvenis há algum tempo, explica que a história do macaquinho Chico Prego serve para despertar nas crianças o limite de suas peraltices e, ainda, o habito da leitura. A narrativa de Alceu é bastante simples e agrada não só as crianças como também os adultos, principalmente àqueles que nunca deixaram de ser crianças mesmo depois de grandes. Os momentos de aflição por que passa o espertinho macaquinho, são facilmente contornáveis pelas suas astúcias. Perambulando pelo céu atracado nos balões coloridos o macaquinho vence a bravura de uma enorme árpia. Depois ele é incomodado pelos filhotes de uma coruja e, utiliza ainda o dorso de uma cobra gigante como pinguela para atravessar o caudaloso rio. Por fim Chico Prego ludibria com clara esperteza o lobo-guará e o jacaré. O livro As Travessuras de Chico Prego tem cores frias e traz na quarta capa o selo inconfundível da Editora Unimontes.

No exato momento em que a sociedade cultural de Montes Claros se aguça nas contradições entre os sonhos e as fantasias - pela necessidade de escrever para as nossas crianças as histórias infantis que advêm do próprio tempo - é que Alceu Augusto de Medeiros sai em campo para publicar a sua obra. Em virtude da importância do livro, recomenda-se que a Academia Montesclarense de Letras possa abraçar o projeto de As Travessuras de Chico Prego numa inesquecível noite de autógrafos.

Montes Claros abriga em seu seio muito pouco os escritores de livros infantis. Somente uma meia dúzia por assim dizer. Amelina Chaves que escreveu Ventania - o cachorrinho sonhador, Ruth Graça que produziu o belíssimo livro de estórias que conta as emocionantes aventuras da menina Marie Lousie intitulado como Estrelinha de Chinelo. Em tempos passados a escritora Maria Luiza Coutinho escreveu a história da Dança da Carochinha. Amélia Souto com quatro belíssimos livrinhos estreou no mundo dos livros infantis e Maria Pires com os livros O Burrinho e o Menino e Hospedeiro de Belém tem o seu nome escrito na história da literatura montes-clarense. Distante do mundo cultural, por motivos óbvios, o nosso Tio Manoel que já publicou vários livretos para crianças está agora fazendo falta com a sua bela-arte. Por que o macaco? Elias José na sua obra Os Fabulosos Macacos Cientistas nos revelou que os macacos são animais bem dotados intelectualmente.

Nota-se que a sagacidade dos macacos serve de efervescência para os temas mais "loucos" da macacada com todas as suas macaquices. Também, é bem verdade, que os livros infanto-juvenis servem para o leitor mirim exercitar o seu pensamento crítico sobre o que acabou de ler. Por tudo isso a escritora Ana Maria Machado, que escreveu o Mico Maneco descobriu que as crianças estavam começando a ler em inglês - com o advento dos computadores - e se não fizesse nada elas iriam ficar letradas em língua dos outros e analfabeta na nossa.

Pode ser que seja coincidência, mas os pequeninos micos e os macacos são os "bichinhos" mais requisitados nas historinhas infantis. Assim, o poeta Alceu Augusto de Medeiros o fez. Ele escreveu As Travessuras de Chico Prego, uma história belíssima de um macaquinho esperto numa viagem inusitada pela imaginação do autor. Que todas as crianças e adultos leiam o livro de Alceu, pois temos a certeza de que todos vão perceber que o trabalho literário de Alceu é diferente e muito interessante.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

SERESTÓRIAS E OUTROS ESCRITOS



Dário Teixeira Cotrim

Com relação ao livro Serestórias & outros escritos, de Virgílio Abreu de Paula, nós poderíamos dizer e, sem nenhum constrangimento, que o adagiário “filho de peixe, peixinho é” é verdadeiramente verdadeiro. Portanto, Virgílio era por isso um historiador nato com as mesmas características do pai, o folclorista Hermes de Paula. Ele soube muito bem explorar o tema “seresta”, haja vista o que já vivia bastante tempo enraizado no seio de sua família. Serestórias no sentido real da palavra é a seresta em histórias da cidade Montes Claros. Ou melhor; é um excelente, minucioso e rico apanhado dos causos acontecidos durante a peregrinação do Grupo de Serestas João Chaves em toda a sua trajetória cultural. E por assim dizer é que encontramos no intróito do seu livro uma afirmação clássica sobre os tempos passados, onde o autor diz que “as calmas noites mineiras eram povoadas de música e verso: versos que exaltavam a beleza e o encanto da criatura amada ou choravam as mágoas de um amor impossível ou não correspondido”.

Por um lado, vislumbramos com as anotações sobre as anedotas acontecidas durante as viagens do Grupo de Seresta João Chaves. Elas são jocosas sem deixar de serem verdadeiramente importantes para o resgate da história da seresta de Montes Claros. Certamente que, com o tempo elas tornar-se-ão apontamentos folclóricos que enriquecerão a literatura e a história cultural dos montes-clarenses. Há causos engraçados em que a narrativa de Virgílio aflora com total encantamento lembrando-nos as crônicas do mestre João Valle Maurício. Disse-nos a saudosa escritora Felicidade Perpetua Tupinambá que a primeira parte deste livro “é o lado divertido da vida dos artistas” e que foi escrito com o “objetivo de conservar a memória” de acontecimentos passados e pitorescos entre os componentes do grupo de Seresta João Chaves.

Por outro lado, notamos ainda que as crônicas de Virgílio retratem os respingos históricos da cidade de Montes Claros num complemento natural e oportuno do livro “Montes Claros, sua história, sua gente e seus costumes”, do historiador Hermes de Paula, o seu pai. A maneira pela qual o poeta Virgilio escreve as memórias de sua terra confunde-se em estilo e gênero com o do poeta José Prudêncio de Macedo. De sua dedicação com as coisas nossas é que lhe tem valido incontestáveis apreços dos montes-clarenses, tudo isso em agradecimento à sua paixão amorosa por Montes Claros, mesmo depois do seu encantamento eterno. É que os poetas perecem, mas as suas obras ficam imortalizando-os para sempre.

A propósito disso tudo indagamos a nós mesmo: e o Virgílio poeta existe? Certamente que sim, mas muito de nós não tínhamos a consciência de que Virgilio Abreu de Paula fazia poesias. Belas poesias! Aliás, ele não só compôs versos livres de regras gramaticais, mas também o soneto que é a forma mais difícil de fazer poesias. Talvez ele tenha iniciado muito tarde na arte de fazer versos, ou ele tenha ido muito cedo sem ao menos completar o seu rosário poético. Mas, se vivo ele estivesse com certeza que haveria de publicar vários livros de poesia. Pois ele era talentoso, criativo e tinha no sangue a poesia sertaneja e a música seresteira. Não obstante a tudo isso, temos informações que ele deixou inéditos dois livros: PECATTUM e NOSSOS BICHOS.

Virgílio Abreu de Paula era membro do Grupo de Seresta João Chaves e da Associação Brasileira dos Pesquisadores da Música Popular Brasileira. Também foi ele presidente da Comissão Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Montes Claros. Em 2001 foram publicados diversos causos do livro Serestórias & outros escritos no Jornal de Notícias. Ele colaborou no Jornal de Montes Claros durante os anos de 1989 e 1990. No Diário de Montes Claros no ano de 1990. Recebeu o prêmio SOL em 1987 e 1990 além de outras premiações.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

OS 500 ANOS DOS SEM TERRA

Dário Teixeira Cotrim

Foi com muita alegria que recebi das mãos do confrade Juvenal Caldeira Durães o exemplar do livro Os 500 Anos dos Sem Terra, de Mário Magno Cardoso. É um excelente livro de memórias que traz várias fases da história nacional e regional e fala-nos, principalmente, de Buriti Grande, um pequeno povoado do município de Bocaiúva, terra natal do autor. Há, todavia, as informações básicas sobre a colonização do interior mineiro desde a presença dos bandeirantes paulistas, quando aqui vieram para tomar posse das terras até os dias em que a luta pela terra reúne grupos de trabalhadores em busca de um lugar seguro onde possa assentar suas famílias e viver com dignidade numa sociedade vil e politicamente desigual.

Assim é o livro de Mário Magno Cardoso “grande sonhador e dotado de um maravilhoso senso de humor, pois sempre ele está de bem com a vida e com todos” apesar dos seus noventa e poucos anos de idade. São fatos que nos submergem no mundo, não o das fantasias, mas o do descaso. Dentro desse mundo é que encontramos nossa realidade mais dura e cruel. Nota-se que Os 500 Anos dos Sem Terra não passa de um lamento melancólico do autor, que através de árduas pesquisas fez registrar alguns pontos obscuros da nossa história. O livro retrata fielmente o povoado de Buriti Grande, além de um interessante apanhado sobre a genealogia das famílias que lá residem.

Usando estilo próprio, Mário Magno narra com sensibilidade, temas tristes e belos, que celebram a importância do seu trabalho. “Foram essas coisas que fizeram nascer em mim a idéia de escrever este livro, a que dei o título de Os 500 Anos dos Sem Terra, dando como exemplo meu pequeno torrão natal, Buriti Grande, que já sofreu no passado grandes atentados. Tenho muito que contar a esse respeito e aproveitando o assunto em causa, falarei do meu pequeno lugarejo que tanto amo”.

Apesar do avanço político e da consolidação parcial da reforma agrária no país, o jogo de interesses, enquanto método divisório das terras parece ter sobrevivido por muitos séculos. Uma prova dessa afirmação é o livro Os 500 Anos dos Sem Terras, do ilustre escritor Mário Magno Cardoso. Num primeiro momento o autor concentra as suas pesquisas na história (Tratado de Tordesilhas e a Chegada dos Bandeirantes). Depois vereda por caminhos menos íngremes e exalta com minudência o seu Buriti Grande. É certo que o foco principal de sua narrativa – os Sem Terras – aparece nas entrelinhas do livro. Dividido em dez capítulos, o livro traz ainda um lindo poema de Filomeno Pereira dos Santos, com o título de “Buriti Grande e seu passado”.

Além dessas nossas impressões sobre a obra de Mário Magno Cardoso, que a exaltamos sem nenhum favor, ela ainda trouxe-nos a lembrança do saudoso poeta Gabriel Dário Cardoso, filho do autor. Por outro lado, fez muito bem o autor em editar a sua grandiosa obra, o que certamente ela poderá nos ajudar a compreender o grito pungente dos que estão na informalidade do trabalho ou, ainda, numa sociedade violenta onde a lei é ditada pelos inúmeros traficantes. Mas, por certo, não tivemos ou não foi necessária a oportunidade de pegar em armas, porque basta-nos a pena de uma caneta para que possamos difundir as nossas idéias. E foi assim que fez o ilustre escritor Mário Magno Cardoso. “Hoje, aposentado, [ele] reside em Montes Claros onde com a amada esposa Laetícia teve onze filhos que são sua grande paixão, além da paixão pelas suas raízes e pela vida”. Mário não polemiza, mas isso não retira o mérito do seu trabalho de pesquisa como uma singela contribuição para a história política e social de nossa região. Parabéns Mário Magno Cardoso!

O RANCHO DA LUA E OUTRAS MEMÓRIAS


Dário Teixeira Cotrim

Memórias do Rancho da Lua é mais um livro ousado e que certamente causará polêmica assim como todos os outros livros de Amelina Chaves. A narrativa é quase uma conversa ao pé de ouvido, ela é mansa, é tranqüila, sussurrada e sem os (pre)conceitos ainda existentes na sociedade em que vivemos. O assunto aqui tratado é a controversa da prostituição, nua e crua, quando esta ainda encontrava-se na sua virgindade absoluta para os adolescentes menores de idade. Mas, de outro modo, para os homens, a sociedade aceitava-os nos prostíbulos com íntimas reservas nos diversos segmentos da família-comunidade. Portanto, Memórias do Rancho da Lua desnuda fatos passados e nunca dantes revelados do circuito entre Francisco Sá e Montes Claros ou em sentido inverso. Acima de tudo, este é um livro que nos revela a intensa preocupação da autora em resgatar a vida boêmia do povo brejeiro, não obstante os seus objetivos serem difíceis de ser atingidos em vista os desencontros das idéias preexistentes no cenário cultural de agora.

É, também, um importante relato os acontecimentos dos primeiros tempos da prostituição que, vistos através dos olhos de Amelina Chaves, uma brejeira oriunda de família simples e dona de uma rara sensibilidade, os faz sem falso pudor. Na verdade são os anjos anândrios que iluminam a escrita picante e adversa da autora, isentando-a de culpas e das desculpas pelo seu temperamento estranhamente introspectivo. Já se vê que é mais sério tocar em feridas cicatrizadas que numa horrorosa hemorragia que nunca se estanca.

O livro, além desta nossa modesta contribuição, ainda traz prefácio do ilustre historiador montes-clarense Haroldo Lívio que, descreve os dourados anos do Rancho da Lua com detalhes sutis, sem, sequer, ofender a dignidade dos personagens ali envolvidos. Então, aí está de que modo a história executa as suas passagens mais interessantes.

Por outro lado, esta interessante narrativa sobre a prostituição brejeira se inicia com um breve comentário sobre as origens da vila de São Gonçalo do Brejo das Almas (Francisco Sá), trazendo no seu bojo a saudosa zona boêmia do Rancho da Lua. É lembrada a figura ilustre de Zezim Trindade, um exímio contador de causos. Também a acadêmica Amelina Chaves enfoca a casa amarela, os cassinos e os admiráveis bordéis de luxo que são retratados com minudência pela autora para o deleite de seus notáveis leitores. É, pois, Amelina Chaves uma daquelas escritoras que sabe como ninguém explorar temas proibidos. È necessário saber sonhar sonhos impossíveis! O choque de idéias neste caso é tão somente o confronto sócio-ecônomico-político e sócio-cultural – presentes no texto – que são um elemento enriquecedor e determinam o impacto imprevisível que o livro, certamente, poderá (com)prometer. Será sempre assim porque não existe e nunca existiu nenhuma sociedade organizada sem prostituição.

Portanto, recomendamos a leitura deste livro, pois se trata, como já dissemos inicialmente, de uma viagem através dos tempos em que a prostituição era vista como essencial e que agora se trata de um roteiro básico para o aprofundamento da questão que é de suma importância para a nossa sociedade. Allan Poe dizia que toda obra que não pode ser lida de uma única vez fica prejudicada por intervenções externas, e que acabam destruindo a sua verdadeira finalidade. Neste caso, não só recomendamos como também insistimos que a leitura deva ser completa e prazerosa. A autora deixa uma mensagem de esperança quando finalizando a sua obra, afirmando que a necessidade de escrever é a única mola que impulsiona a utopia.

O PODER FEMININO

Dário Teixeira Cotrim

O mundo feminino estará atento para o futuro que há de vir. Neste aspecto as coisas estão se transformando numa rapidez tamanha que não damos conta de tudo que acontece em nossa volta. Foi pensando assim que o ilustre acadêmico, doutor Antônio Ferreira Cabral despertou para a pesquisa sobre o tema do Poder Feminino, de vital importância no destino de cada pessoa, do qual o espetáculo da vida pode se tornar o maior e mais eficiente instrumento de educação. Portanto, o livro que hoje acabamos de fazer a sua leitura tem esse importante compromisso, e ainda mais o de trazer conhecimento de um passado nebuloso, onde a mulher tem de arrostar de todas as maneiras e formas para realizar os seus sonhos de liberdade. As decepções do poder constituído somadas ao despreparo de uma sociedade cruel, desigual, e totalmente preconceituosa deixaram (e ainda deixam) marcas impagáveis da violência contra a figura da Mulher.

Escrever sobre a inteligência humana, nesse sentido, requer uma infinidade de pesquisas. Como de fato isso aconteceu. O minerador Cabral mergulhou nessas garimpagens com suprema audácia e esplêndida coragem para depois imiscuir-se na inteligência retrógrada do seu povo, com os seus costumes e as suas tradições, e assim debulhar o tema do poder feminino. O que antes era proibitivo e preconceituoso tornou-se agora assunto corriqueiro na sociedade e também nos meios acadêmicos. Desvendar com exatidão as situações vexatórias por que passou o sexo frágil tornou-se um trabalho gratificante e acima de tudo um estudo temático que honra e glorifica o povo e a nação, não obstante a existência de feridas ainda não cicatrizadas. Indiferentemente de tudo isso, o autor preocupou por criar uma literatura nova, com textos bem elaborados, textos suaves e condizentes com os assuntos propostos no projeto de sua escrita. Aliás, este livro ressalta a força da lógica na determinação da mulher dentro da sociedade de convivência e da conveniência, fazendo acreditar que as suas idéias aqui explícitas sejam transformadas em ações verdadeiramente convincentes.

Apesar do preconício dos fatos, o autor ainda teve a coragem de abrir um gigantesco leque sobre os pormenores verossímeis. O seu trabalho aborda desde os tempos dos homens das cavernas, passando pela idade média, quando se fala em sociedade civil (o casamento), pela prostituição e pelas lutas em que a Mulher batalhou para conquistar do seu espaço físico e espiritual, com todas as razões intrínsecas na sua alma e no coração. Por conseguinte, a procura da paz tão almejada pelas nações conflitantes. Por isso a questão consiste em saber se essa situação é irremediável ou se ela tende a ser superada.

Em síntese, a escrita de Cabral é de fácil compreensão. Pois, ela se adapta á beleza fulgurante da figura feminina com o mimetismo colorido dos velhos camaleões. Por outro lado, as suas considerações são formuladas por palavras francas e sem rodeios e, o que é muito mais importante, sem ferir a dignidade e a personalidade da mulher. È evidente que o livro O Poder Feminino – esperança da paz a que nós estamos referindo não constitui de um manual de boas maneiras, mas é um ótimo material de leitura paralela e esclarecedora, excelente fonte de sugestões e pesquisas para a discussão e a análise, também para os comentários e as exemplificações sobre o comportamento exemplar e vitorioso da Mulher nesses últimos séculos. Certamente que sim!

O respeito pela figura humana retrata muito bem no sofrimento de suas conquistas. Conforme disse Remy de Gourmont, “O homem começa amando o amor e termina amando uma mulher. A mulher começa amando um homem e termina amando o amor”. Parabéns Cabral!

NOVA ESPERANÇA


Dário Teixeira Cotrim

É fácil escrever sobre o livro de Jarbas Oliveira. É difícil escrever sobre o livro de Jarbas Oliveira. É fácil porque o seu livro é de tal modo que todos o entendem e é difícil porque a grande parte da população, não habituada à leitura, já o prejulga antes mesmo de lê-lo. Digamos de passagem que isso não implica sequer em diminuir o valor literário que ele tem. O li, e o li num só fôlego. Garanto-lhes, pois, que este livro se trata de um excelente livro-de-romance, o que nos faz recordar as brilhantes obras dos montes-clarenses Edson Ferreira Andrade (Kaline) e José Catarino Rodrigues (Sonhos de Algodão).

Por outro lado, o livro Nova Esperança, do escritor Jarbas Oliveira, permite que os seus leitores percebam com que facilidade a leitura é ali desenvolvida. O estilo empregado pelo autor não se acha atrelado a nenhuma escola literária que conhecemos. Nota-se, portanto, um misto de sensibilidade absoluta, de conhecimento das técnicas literárias e dos recursos gramaticais que, às vezes, de sua bela capacidade de ilustrar o ambiente com palavras descritivas onde se desenrola todo o drama do romance, a sua narrativa nos apresenta deleitosa, mas consistente de fatos. Isso, principalmente no que tange a parte das contendas jurídicas. Fica claríssimo o contágio das idéias de um dado momento em que forma o pacto amoroso entre o poder de decisão e a beleza da gratidão. Não é por pura coincidência que o autor deixa explícito, ao longo dos capítulos, a sua intenção de expor as diversas facetas do relacionamento – homem-candidato/homem-eleitor – permitindo com isso que o seu leitor tenha uma rápida identificação dos vícios da política em detrimento ao bem-fazer social.

Entretanto, se Martha – a personagem principal – não fosse uma criação literária, poderia ser mais uma vítima das injustiças que se cometem neste imenso país. Às vezes acontece que a força da paixão determina os rumos dos acontecimentos. Neste caso o autor deveria ter concluído o seu trabalho, mas não foi possível em vista de alguns fatos novelescos ainda não serem completamente explorados por ele. E o resultado não poderia ter sido outro senão o do amor ultrapassando todos os limites nele contidos. Haja vista que a qualquer luz que se pretenda lançar sobre o eterno relacionamento homem-mulher deve-se considerar antes de qualquer coisa um fruto da alma e do coração.

Temos certeza de que o novo livro Nova Esperança será muito apreciado, principalmente pelos alunos, porque a sua leitura é de fácil entendimento e o enredo nos oferece uma dramatização muito comum na vida cotidiana do nosso povo. São fatos parecidos que fazem com que os leitores se sentem imbuídos na obra. Creio até que o trabalho idealizado por Jarbas Oliveira tende a fortalecer-se por sua própria natureza, caracterizadamente, para as absorções das novas abordagens que contemplam, por exemplo, a pluralidade cultural e a diversidade de temas para a elaboração do romance, o que é incomum em nosso meio.

Com a publicação desta obra, o escritor Jarbas Oliveira se junta agora aos outros nomes, todos respeitabilíssimos na literatura montes-clarense, quando se trata de romancear uma história de amor. Uma plêiade de acadêmicos composta por Amelina Chaves (O Andarilho do São Francisco), Petrônio Braz (Jandaia: em tempo de seca), Olyntho da Silveira (A filha da Enfermeira), Ajax Tolentino (Amor Cigano), Ronaldo José de Almeida (Data Venia, Excelência!) e tantos outros. Acreditando na efetivação de sua proposta, o autor abre uma janela para o futuro, deixando nas entrelinhas que somente iniciou o romance Nova Esperança. Outros desdobramentos acontecerão na segunda parte do livro o que não deverá demorar muito tempo. Estaremos atentos!

NAS ÁGUAS DO RIO SÃO FRANCISCO


Dário Teixeira Cotrim

Acabei de ler um belíssimo livro: Nas Águas do Rio São Francisco. Há em suas páginas, de rica documentação, escritas com a objetividade de uma grande escritora e historiadora do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros, a acadêmica Maria da Glória Caxito Mameluque, a vitoriosa trajetória do sertanista Marcelo Mameluque Mota e, também, o estudo digno de atenção sobre a origem da família Mameluque (de João Mameluque de Castro) e Mota (de dona Dízia da Mota Castro). Interessante, da mesma forma, notar a presença de traços históricos sobre a cidade de Januária e, em particular, sobre o antigo distrito do Brejo do Amparo. O leitor ainda encontrará – e passará para as gerações futuras – crônicas documentadas, uma vasta documentação, fotografais e depoimentos gravados sobre a vida e muitas outras histórias de Marcelo Mameluque Mota. Portanto, Nas águas do Rio São Francisco é um livro que deve ser lido e relido, e que precisa ser passado de pai para filho e, assim, sucessivamente.

A bem da verdade, este livro trata-se de uma bem elaborada autobiografia, com narrativas carregas de doces emoções e com minudências nas exposições dos fatos históricos desde a partida do homenageado do antigo Brejo do Amparo até os seus 50 anos de atividades nos 500 anos do Rio São Francisco - fato ocorrido no dia 4 de outubro de 2001. O saudoso Reivaldo Canela, no excelente prefácio que fez, disse “que a narrativa [do livro] acontece rica, com autenticidade absoluta, vinda da própria personagem, entrevistada pela escritora”. Em nada diminui o mérito da autora que procurou compilar textos, retratos e documentos de origens diversas sobre aquele que muito “laborou em prol de sua terra e seu povo”.

É dentro desse ethos, no qual com muita simplicidade e persistência que a autora projetou-se na busca das informações documentais sobre as origens das famílias Mota e Mameluque. Como se vê, neste livro há um capítulo todo especial sobre o coronel Romão da Mota, homem extremamente corajoso, que sozinho matou 99 onças-pintadas. A centésima onça-pintada lhe feriu no braço, o bastante para que o tétano não lhe poupasse a vida. É inegável que Marcelo é um exímio contador de causos, todos narrados com arte. Assim, nesse jogo lúdico de emoções e surpresas, em que forma um documentário de importância inquestionável para a história de Montes Claros e região, o livro Nas Águas do Rio São Francisco, pelos textos e pelas formas apresentadas pela sua autora, insere na linha mais autentica das biografias brasileiras.

Marcelo foi, com justiça justa, homenageado pelos confrades da ACLECIA: Academia de Letras, Ciências e Artes do São Francisco, quando disse em seu discurso de agradecimento o seguinte: “Posso dizer sem medo de errar que o rio São Francisco nasce na serra da Canastra, em Minas Gerais, e morre no oceano Atlântico, no Estado de Alagoas, mas antes em seu percurso, ele passa pelo meu coração com o tisnado barrento de suas águas, de onde destaco a sua mais extraordinária riqueza, que vem a ser sua gente, da qual faço parte, pois aqui vivo. Neste vale, dei o primeiro grito de vida, e com certeza darei o meu último suspiro”.

Foi muito gratificante a leitura que fizemos do livro da escritora Maria da Glória Caxito Mameluque – Nas águas do Rio São Francisco – sobre a vida exemplar do seu ilustre cunhado, o doutor Marcelo Mameluque Mota. E, finalizando as nossas despretensiosas considerações queremos congratular com os amigos Silvana e Athos Mameluque pelo legado de bons costumes que o seu pai ainda hoje nos oferece na sua simplicidade de homem de retidão intocável, inteligente e bom proseador.

MOZART DAVID: UMA VIDA A SERVIÇO DE JACARACI


Dário Teixeira Cotrim

Li com muito proveito o documentário “Mozart David: uma vida a serviço de Jacaraci”, da ilustre acadêmica Zoraide Guerra David no qual ela tece a biografia vitoriosa sobre a vida e a obra da figura de Mozart David, homem simples do povo e político de alto prestígio, nascido em sua querida Jacaraci, onde ainda hoje é venerado com o carinho de sua gente. Certamente que escrever este livro foi uma idéia feliz de nossa distinta confrade. Conhecendo como eu conheço as suas obras, nunca é temeroso dizer que este documentário será mais um importante trabalho biográfico da autora: primeiro pela pessoa que é biografada em seu trabalho, um homem de retidão irretocável e de responsabilidade inquestionável. E, por outro lado, é sabido que as obras da autora sempre estão entre os melhores livros já produzidos neste sertão de Guimarães Rosa, e este não será diferente.

Portanto, é sobre a figura desse sertanejo jacaraciense que a escritora Zoraide Guerra David lança o livro: Mozart David: uma vida a serviço de Jacaraci, rastreando com visão de crítico e de pesquisadora os velhos caminhos em busca das informações necessárias para dar corpo a sua obra. Zoraide foi muito mais longe. Viajou léguas e mais léguas no encalço daquilo que lhe era indispensável. Por isso mesmo que este livro-documento é-nos apresentado com excessiva credibilidade, pois nele encontramos documentos reais e palpáveis. A autora ainda nos fala das diferentes fases do seu trabalho, nas entrevistas carregadas de emoções e também as juntadas de documentos e fotografias realizadas para se chegar à biografia do homenageado.

Desta maneira procedemos à leitura de alguns de seus poemas produzidos por determinada vertente crítica e que conduz à percepção da existência de um elo de amizade entre os poetas – dentre eles o saudoso poeta Patrício Guerra – e o grande homenageado do momento. Nada disso, porém, descaracteriza o valor e a fibra de um homem político determinado como era Mozart David, principalmente na sua conquista do poder público. Opiniões nada mais justas do que as dos seus entes mais íntimos para qualificar-lhe as virtudes e os defeitos por acaso existentes. Aliás, são exatamente essas pessoas as melhores conhecedoras da trajetória vitoriosa de Mozart David. O traço dominante e aparente, porém, era a sua inteligência. Uma inteligência fulgurante que só o povo mais simples do campo entendia, nada obstante a sua forma efetiva de relacionar-se com as classes mais abastardas. Mozart David era um homem do povo, e a confreira Zoraide soube muito bem explorar essa virtude sem ser injusta ou prepotente.

Difícil é para o pesquisador exercer a sua produção biográfica quando não encontra subsídios de que necessita para historiar o fato. Neste caso os subsídios são fartos e são verdadeiros. Haja vista que nas marcas de suas pesquisas inserem-se nela uma linguagem ora jornalística, ora documentária, ora telegráfica e ora por entrevista voluntária, isso devido às inúmeras opções legadas pelos familiares e amigos advindas do convívio de anos e muitos anos. É bem verdade que a nossa confreira também teve com o homenageado uma convivência saudável e sobre ele muita coisa já era do seu conhecimento.

No geral o livro de Zoraide é realmente um documentário completo e perfeito. Um bom começo ou incentivo para quem quer conhecer a vida pregressa de homens sérios, capazes de mudar para melhor as situações e as condutas inerentes a um povo. No meu modo de entender, os pesquisadores devem escrever e tornar público o que conhece sobre a vida do seu biografado. O conhecimento amplo e irrestrito, em suma, é formado pela curiosidade ou pela oportunidade de elementos subjetivos e objetivos. Poder-se-ia dizer que o elemento “subjetivo” aqui se torna facilmente superado pelo “objetivo” em razão da forma empregada pela autora nas coletas das inúmeras informações. Pois foi assim que aconteceu com os seus outros livros.

Antes de tudo, é preciso recordar que o Documentário Mozart David: uma vida a serviço de Jacaraci “é a luz máxima dos acontecimentos”. É assim porque no entrecho do projeto, este livro deverá cumprir o seu objetivo maior, que é o de resgatar o passado histórico além das tradições e dos costumes da terra e do homem. Como se vê, as características históricas do município, com as descrições de seus rios, serras, fazendas e distritos, devem enriquecer o obra como um todo. Desde então, pode dizer-se que o Morro do Chapéu, localizado na serra das Almas, ainda permanece todo garboso indicando que a pequena Jacaraci fica ali bem pertinho. Daí a consideração final do meu depoimento: o Documentário Mozart David: uma vida a serviço de Jacaraci será uma obra eterna, assim como eternas são hoje as obras e a vida de Mozart David.

MEMÓRIAS DA INFÂNCIA


Dário Teixeira Cotrim

O confrade Reivaldo Canela, pessoa de quem sou admirador incondicional, emprestou-me o livro Memórias da Infância, do poeta Júlio César de Melo Franco. O livro traz ilustrações do renomado artista plástico Konstantin Christoff, fato este que somente valorizou e nobilitou a obra literária de Melo Franco, tendo em vista o prestígio e o sucesso que as suas pinturas vêm contabilizando ao longo do tempo. Nada poderia ser diferente, o resultado da união entre essas duas criações – de Melo Franco e Christoff – senão uma belíssima obra de arte. Por outro lado o trabalho Memórias da Infância nos faz lembrar do recente livro de nosso confrade Luiz de Paula Ferreira que também escreveu e editou, para a nossa felicidade, um excelente trabalho memorialista (Por cima dos telhados, por baixo dos arvoredos).

A escrita de Memórias da Infância é uma conversação. É um recontar de causos até então esquecidos no tempo. É um relembrar dos amigos de caçadas de “encontro” ou de “espera” e uma única pescaria acontecida no Poço das Antas, do rio Jabuticabas. Talvez, seja este livro uma análise na formação genealógica da parentela ascendente e descendente do ilustre poeta. Na verdade aqui se trata de um baú de reminiscências, onde estão guardadas as doces lembranças, e as mais distantes de que poderia imaginar o autor. Cantar e encantar a fauna e a flora do grande sertão do Urucuia também faz parte de suas dissertações.

É interessante notar que o velho Affonso Arinos ao escrever Pelo Sertão descreveu minuciosamente o Buriti Perdido do Urucuia. “No meio da campina verde, de um verde esmaiado e merencório, onde tremeluzem às vezes as florinhas douradas do alecrim do campo, tu te ergues altaneira, levantando ao céu as palmas tênues”. Melo Franco relembra com saudades do velho Affonso Arinos.

Na apresentação do livro diz o autor que tudo aconteceu em vista de um pedido de sua netinha Thalita. Pode ser. Entretanto, nenhum escritor-poeta gostaria de ver apodrecendo nas gavetas do menosprezo as suas inúmeras memórias. Apesar de tudo, se o livro de Melo Franco não é suficientemente saudosista, o assunto de que trata sem nenhuma dúvida o é. Para finalizar essas minhas considerações sobre a obra de Melo Franco, recorro-me agora o que disse seu amigo e prefaciador Cesário Termando Rocha: “Por fim, defrontamos com uma nota triste em suas Memórias, quando ele abre as válvulas do seu magnâmico coração e deixa jorrar toda uma tristeza, que lhe vem do pélago profundo de sua alma!... Fala da perda da querida filha Júnia, vencida por indomável enfermidade, ainda nos belos dias de sua carreira como professora do Conservatório de Música de Montes Claros. E, mais ainda, da moléstia, que a ele também veio aos poucos carcomendo e que logo após findas essas memórias o roubou de nosso convívio levando-o aos páramos ignotos da eternidade”.

Agradeço de todo coração ao amigo e confrade Reivaldo Canela a oportunidade, a mim prestada, de conhecer um pouco mais sobre a vida e a obra de Júlio César de Melo Franco. Acadêmico nas letras, Melo Franco ocupava a Cadeira de número 23 da Academia Montesclarense de Letras, como sócio fundador. No Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros ele é patrono da Cadeira de número 71. Veio a falecer “um mês depois de completar os seus 70 anos”, legando à posteridade um nome sobre todos os pontos de vista digno, um exemplo verdadeiro de honestidade, de saber, de cultura e de trabalho pelo bem comum.

MAGNIFICAT


Dário Teixeira Cotrim

Estou lendo um magnífico livro. O livro Magnificat (Representações de Nossa Senhora), que tem inserido em suas páginas o currículo das Nossas Senhoras. No mesmo momento estou ouvindo a linda canção Todas as Nossas Senhoras (Roberto Carlos – Erasmo Carlos): “Minha Mãe Nossa Senhora/ Somos todos filhos seus/ Todas as Nossas Senhoras/ São a mesma Mãe de Deus”. É, certamente, a união da literatura com a música um momento de rara felicidade, haja vista que nem sempre a literatura deste gênero circula com tal facilidade por entre a população como são disseminadas as músicas, principalmente se tratando do rei Roberto Carlos. Mas, o livro Magnificat, escrito em duas mãos, pelas acadêmicas do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros, Maria das Mercês Paixão Guedes e Milene Antonieta Coutinho Maurício, retrata com fidelidade a história histórica das Nossas Senhoras, com uma curiosidade muito importante para a nossa terra e o nosso povo: A biografia de Nossa Senhora de Montes Claros.

Foi iniciada a construção da Igreja, sob a invocação de Nossa Senhora de Montes Claros, no dia 6 de setembro de 198, no Bairro Maracanã, uma idéia acolhida pela comunidade e aprovada pelo Bispo Dom José Alves Trindade. No ano seguinte, 8 de setembro, o Bispo Coadjutor Dom Geraldo Magela de Castro entregava a Igreja, ainda não totalmente concluída, à comunidade montes-clarense, no meio de alegres festejos que duraram três dias, conforme disse-nos a sua brilhante autora Maria das Mercês Paixão Guedes.

É sabido da ardente paixão de Maria das Mercês Paixão Guedes pela história religiosa da nossa cidade e o cuidado que ela tem em catalogar documentos inerentes a Arquidiocese de Montes Claros. No primeiro volume da Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros ela contribuiu com o excelente artigo intitulado Sob a Sombra de Tuas Asas (Sub Umbra Alarum Tuarum), registrando toda a história da criação da Diocese de Montes Claros (1903 – 1943).

O magnífico livro Magnificat (Representações de Nossa Senhora) ainda traz uma antologia com poemas e, também, um álbum fotográfico contendo 96 estampas alusivas às Nossas Senhoras ali retratadas. São 558 páginas, mas era preciso que fosse assim para não ficar prejudicada a pesquisa realizada. Na quarta capa disse-nos Antônio Carlos Santini que “Magnificat é um livro para católicos que se sentem filhos. Que ainda olham para a Virgem Mãe de Deus como sua própria mãe” e concluiu dizendo “Que a leitura de Magnificat ajude todos os leitores a crescer no amor de Deus e a Maria, sua obra-prima”.

O presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros, o doutor Wanderlino Arruda, agradece a Maria das Mercês Paixão Guedes pela oferta do livro Magnificat (Representações de Nossa Senhora), atitude esta que todos os membros do IHGMC deveriam fazer, pois sabemos que a sua obra vai valorizar o acervo da nossa Biblioteca e, ao mesmo tempo, facilitar aos nossos confrades a oportunidade de ler e pesquisar sobre esse tema fantástico que é a história de todas as Nossas Senhoras.

Hino a Nossa senhora de Montes Claros: “Dá-nos a bênção, ó Mãe querida/ de Montes Claros Senhora e Mãe!/ Dá-nos a bênção, Mãe do senhor,/ de Montes Claros és o esplendor”. Confesso que estou feliz. Aliás, agora são muitos os motivos da minha felicidade. Primeiro, porque sou católico e a obra de Maria das Mercês preenche em mim um espaço carente de fé e de devoção. Segundo, porque é muito bom saber que o nosso egrégio Instituto Histórico possui acadêmicos com formação religiosa assim como a nossa confreira Maria das Mercês Paixão Guedes.

POR CIMA DOS TELHADOS, POR BAIXO DOS ARVOREDOS


Dário Teixeira Cotrim

O livro Por cima dos telhados, por baixo dos arvoredos, do confrade e amigo doutor Luiz de Paula Ferreira é uma obra primorosa da literatura montes-clarense. O autor nos apresenta “uma edição artesanal, de dez volumes, dedicado aos filhos e descendentes”, como bem observou o jornalista Manoel Hygino dos Santos na sua crônica “O filho do tropeiro”. Sobre os outros livros de Luiz de Paula – A Venda do meu Pai e Momentos – já os comentamos em outras ocasiões. Porém, ao receber em minha casa o livro Por cima dos telhados, por baixo dos arvoredos tomei comigo mesmo o compromisso de destinar-lhe uma crônica simples, mas que espelhasse alguma coisa mais do que um elogio protocolar de uma escrita de circunstância.

Por isso, a elaboração desta despretensiosa tarefa de escrever acontece no exato momento em que a alma se faz criança, e que se destina a quantos tenham orgulho de se sentir montes-clarenses.

Muitos não sabem ainda dos laços de amizades que unem a mim ao doutor Luiz de Paula Ferreira. A Academia Montesclarense de Letras, o Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros e o Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais podem ser os responsáveis de uma dessas predestinações da vida. Hoje sinto um grande orgulho de poder dizer da nossa recente e profícua amizade. O destino, no entanto, nos reserva surpresas agradáveis e evidencia, de princípio, uma verdade alvissareira: é com subida honra e com grande alegria que tenho em minha modesta biblioteca um exemplar do livro Por cima dos telhados, por baixo dos arvoredos.

Este livro foi escrito com a alma e o coração. É uma autobiografia sem ser uma apologia, senão o entusiasmo e a felicidade dos anos vividos pelo escritor em meio à exaltação da fantasia. A sua escrita é de uma simplicidade a que não estamos habituados. Luiz de Paula é o escritor dos esplendores e das maravilhas e, para isso basta olhar em Momentos as belezas e os encantos de sua primorosa criação artística. E o segredo do seu encanto de escritor e poeta não reside em louçanias de estilo e nem em artifícios extrínsecos de formas, mas no potencial humano de sua própria existência. O livro é uma viagem luminosa que se faz pelo tempo e através do tempo. Nele, há paradas nas larguezas do caminho. Nele, as descrições podem nos dar a dimensão exata de uma doce saudade. E este é o pensamento central de sua influente obra.

“Ao retornar ao passado pelas trilhas da lembrança a alma se faz criança revendo um mundo encantado. Cada novo passo dado a um outro passo convida e nessa marcha invertida eu vou encontrando a esmo os pedaços de mim mesmo deixados ao longo da vida”. Por cima dos telhados, por baixo dos arvoredos eu o li de um só fôlego e não me canso de relê-lo, ora esta página, ora aquela outra, nas minhas horas de nostalgia no aconchego de minha biblioteca e não há quem não sinta saudades no volver de sua escrita. A dedicatória impressa na página inicial sempre me comove quando a leio. O autor disse-me: “Ao doutor Dário Teixeira Cotrim, com todo o apreço de Luiz de Paula Ferreira. Abril/2008”.

A obra de Luiz de Paula Ferreira desloca-se no espaço e no tempo e ganha o infinito-universo das letras. Como já afirmamos em parágrafo anterior, o livro Por cima dos telhados, por baixo dos arvoredos não é uma apologia à vida. Também não é este livro uma obra de auto-ajuda, mais um modelo essencial para o conhecimento biográfico, histórico e crítico de um escritor já consagrado pelos trabalhos produzidos ao longo de todos esses anos. Confesso, pois, com alegria e sinceridade que não conhecemos nada mais meritório, oportuno, inteligente e útil. Parabéns doutor Luiz de Paula Ferreira!

MONTES CLAROS, CLAROS MONTES: NOSSA TERRA, NOSSA GENTE


Dário Teixeira Cotrim

Eu tenho um livro escrito por duas mãos: dóris & dário. O Secretário de Cultura, Ildeu Braúna, também tem um. A acadêmica Yvonne Silveira tem vários deles. Aliás, tem muita gente que tem um ou mais de um livro escrito por duas mãos. Ter a felicidade de compartilhar com alguém essa oportunidade de escrever livros a dois é uma dádiva de Deus. É assim porque neles não há egoísmo e nem tampouco o fruto das falsidades. Falando nisso, agora mesmo eu acabei de ler um livro assim: Montes Claros, Claros Montes - Nossa Terra, Nossa Gente, de Helena Pereira Nascimento e Martins e Terezinha Campos. A primeira delas aventurou-se na prosa descrevendo alguns dos momentos mais importantes da vida social de Montes Claros, com elegância e fidelidade. Enquanto isso, Terezinha Campos construiu versos, os mais belos versos sobre a vida pacata da cidade em que nasceu e ama com muita devoção. A leitura deste livro foi para mim uma gratificante viagem ao tempo pretérito.

É certo que nas anotações de Helena Pereira recordamos momentos de real encantamento e que resultaram num documentário valioso sobre a história de Montes Claros. Ora, foram poucas as vezes que freqüentamos a Boate da Praça de Esportes, entretanto a canção d’o milionário, que era interpretada pelo conjunto Les Cherris, ainda hoje nos emociona quando a ouvimos de um aparelho de som. É incrível como Os Incríveis souberam imortalizar esta belíssima canção. Por outro lado, o Mercado Velho e o Cine Teatro Fátima são duas lembranças vivas de quando aqui cheguei. Também me lembro de um antigo rádio – ainda com válvulas e sempre sintonizado na ZYD-7 – que permanecia empoeirado sobre um pequeno tabuleiro num canto qualquer do meu quarto de dormir. Nesta ocasião eu era inquilino do saudoso Hotel Glória que era localizado na esquina das ruas São Francisco e Rui Barbosa, de dona Gercina e seu Jove. Ah, quantas saudades!

Na segunda parte do livro estão os poemas de Terezinha Campos. Para que as saudades e as lembranças possam ter alguma serventia no presente é necessário valer se deles a todo tempo para recordar do tempo passado. Assim são os poemas do livro Montes Claros, Claros Montes – Nossa Terra, Nossa Gente. Conheço a poetiza Terezinha Campos desde os idos do fatídico ano de 1968. O seu esposo José Luiz era meu colega de trabalho no Armazém Itapoã. Foi um período extraordinário, onde a palavra “saudade” existe para designar a nossa própria experiência do tempo.

As reminiscências de Terezinha Campos iniciam exatamente nesta época em que a cidade de Montes Claros passava por transformações que viriam modificar a sua representação para a cidade de porte-médio. Os seus poemas nos fazem lembrar das crônicas inteligentes de Wanderlino Arruda, Petrônio Braz e Raphael Reis. Para a escritora Terezinha Campos o tempo é o elemento da narrativa, assim como é o elemento da vida. É por isso que as suas produções literárias têm o apoio da classe estudantil e a dos professores. Mas, o que mudou para que a poesia, antes desprestigiada e considerada nociva à sociedade, adquirisse legitimidade tão ampla entre os leitores montes-clarenses? Foi sem dúvida o sentimento de amor que os poetas dedicavam e ainda dedicam à cidade natal dos montes claros.

Falar da figura de dona Etelvina – “Deus lhe pague a sua esmola/ que me deu com afeição/ que do céu receba a paga/ Deus lhe pague, meu patrão” – do Galinheiro que, “tranqüilo, manso, ordeiro/ atirando-lhe pedras incertas/ foi morto o bom Galinheiro” é recordar e viver! Para a autora, as desilusões e os sofrimentos ainda correspondem à dura realidade em que vive o povo de Montes Claros. “Neste trabalho que é um período da verdadeira história de Montes Claros, as autoras retratam, através do sentimento, homenagens ao seu povo, lugares, situações e acontecimentos, ora alegres, por vezes cômico, ora tristes, ou somente revividos, onde mergulham trazendo à baila muitas emoções”. Montes Claros, Claros Montes – Nossa Terra, Nossa Gente “é um livro para ser lido com carinho e guardado no baú das recordações de cada coração”.